Muitas mulheres chegam ao consultório com muitas dúvidas sobre o período da transição para a menopausa, algumas já bastante sintomáticas e outras querendo se preparar da melhor forma para esse período. A menopausa é o marco da sua última menstruação (confirmada após 12 meses seguidos sem sangrar). O processo que você provavelmente está vivendo agora se chama climatério: a fase de transição em que os ovários vão reduzindo a produção de hormônios, principalmente o estrogênio, levando ao início de diversos sintomas físicos e também emocionais.
Como médica ginecologista e pesquisadora dessa área no HCFMUSP, o meu objetivo é desmistificar esse período. A menopausa não é o fim da sua vitalidade, mas sim uma nova fase que exige um olhar e cuidados específicos, buscando a melhor qualidade de vida e bem-estar.
Principais sintomas da menopausa: você se reconhece neles?
A queda dos hormônios mexe com o corpo todo, e os sinais variam muito de mulher para mulher. Se você tem pesquisado no Google sobre o que está sentindo, saiba que os motivos mais comuns que trazem as pacientes ao consultório são:
- O famoso "calor na menopausa": ondas de calor intensas (fogachos) que surgem do nada no rosto e no peito, muitas vezes acompanhadas de suor noturno que atrapalha o sono.
- Menstruação bagunçada: o fluxo começa a falhar, fica mais longo ou muda de intensidade. Essa irregularidade é o primeiro aviso do climatério.
- Ressecamento vaginal e dor na relação sexual: a falta de estrogênio deixa a região íntima mais fina e menos lubrificada, o que pode causar desconforto ou dor na relação (dispareunia), além de infecções urinárias repetidas.
- Sintomas emocionais intensos: oscilações de humor, irritabilidade sem motivo aparente, ansiedade, insônia e aquela sensação de "esquecimento" ou mente enevoada.
“‘Não me sinto eu mesma’ é uma das principais queixas das pacientes na perimenopausa.” — Dra. Julia M. Bianchini
Terapia de reposição hormonal: funciona mesmo?
A terapia de reposição hormonal é a forma mais eficaz para aliviar os calorões, melhorar a lubrificação íntima e melhorar sua qualidade de vida. Mas existe um segredo que a ciência defende: a "janela de oportunidade".
- O momento certo importa: começar a reposição hormonal preferencialmente na transição ou nos primeiros 10 anos após a menopausa (e antes dos 60 anos) é o cenário ideal. É nessa fase que os benefícios protetores para o coração e os ossos são máximos e os riscos são mínimos.
- Avaliação com exames: é importante realizar alguns exames antes, como mamografia e perfil lipídico, entre outros, para segurança e escolha da via.
- Formas de usar: via oral, via transdérmica ou apenas local — cada uma tem sua indicação individualizada.
Reposição hormonal é segura para todo mundo?
Uma das maiores dúvidas no consultório é o medo do câncer de mama ou de trombose. A verdade é que, para a grande maioria das mulheres saudáveis, a reposição é muito segura e indicada. Pacientes com pressão alta ou diabetes controlados podem fazer o tratamento sem problemas. No entanto, existem contraindicações em que não podemos usar hormônios, sendo as principais:
- Histórico atual ou passado de câncer de mama.
- Sangramento vaginal de causa desconhecida (que precisa ser investigado primeiro).
- Doenças graves no fígado ativas.
- Histórico de infarto, AVC ou trombose (trombofilias).
Se você se encaixa em alguma restrição, não se preocupe: existem outros tratamentos não hormonais para controlar os sintomas.
Muito além dos hormônios: seu estilo de vida
Atravessar esse período não é só tomar remédio. Para envelhecer com saúde e longevidade, precisamos ajustar a rotina juntas:
- Alimentação saudável.
- Atividade física aeróbica e musculação.
- Cuidar da qualidade do sono.
Você não precisa passar por esse período sofrendo ou esperando o tempo passar. Vamos conversar e montar o planejamento ideal para a sua rotina? Agende a sua consulta.
